Frankenstein (com o subtítulo O Prometeu Moderno), é sem dúvida uma das narrativas literárias mais famosas da era moderna. Destacando-se em um período fecundo da produção literária, não por ser a melhor ou ter alguém com um talento acima da média por trás. Mas talvez por ter capturado a imaginação do público em um mundo em modificações que redefiniriam a história com a ascensão da era industrial.

Não há dúvida em afirmar que foi, dentre outras produções do período, uma das mais duradouras e influentes. Levando em conta o fato, de acordo com Stephen King no livro Dança Macabra, nunca ter sido tão lido quanto outros romances clássicos do gênero. Sendo assim, a história acabou conhecida por sua carreira nas telas, sendo comumente atribuído ao monstro o sobrenome de seu criador – o Dr. Victor Frankenstein. Apesar disso, o romance encontrou boa acolhida logo na sua primeira edição (1818), excitando a imaginação do público a partir principalmente de suas adaptações. Ganhou versão encenada nos palcos pouco depois de sua publicação e passou de fenômeno literário a um dos grandes mitos dos séculos XIX e XX.

Frankenstein – O Prometeu Moderno foi o primeiro romance da jovem Mary Wollstonecraft Godwin, iniciado na Suíça, no verão de 1816, ao lado do poeta Percy Shelley e outros personagens singulares. Temporada que ficou famosa, cercada de mistérios e incorporando uma mística particular. O Prometeu Moderno ganhou no cinema diversas encarnações: a primeira em 1910,  produzida pelos Estúdios Edison, sendo a mais famosa a versão de 1931 dirigida por James Whale, com Boris Karloff eternizado como o monstro pela insuperável maquiagem de Jack Pierce. Do mesmo modo, o famoso encontro na Villa Diodati também acabou sendo retratado nas telas.

Boris Karloff em Frankenstein (1931)

Mary Shelley e os seres da noite

Mary Wollstonecraft Godwin (1797-1851) tinha apenas dezoito anos quando iniciou a história que a tornaria famosa. Vivia com um dos grandes poetas da língua inglesa, Percy Bysshe Shelley (1792–1822), de quem herdaria posteriormente o sobrenome com que ficou famosa. A idéia surgiu no verão de 1816, na Suíça, temporada que o casal compartilhava com outro expoente da poesia, Lord Byron (George Gordon Byron / 1788-1824), e o médico deste último, John William Polidori (1795-1821), um inglês descendente de italianos, ex-estudante da Universidade de Edimburgo. Completava o grupo a meia-irmã de Mary, Claire Clairmont, que acompanhava de perto o casal. Especula-se uma paixão desta por Percy e até um triângulo amoroso, situação mal-resolvida que teve como conseqüência um romance da jovem com Byron.

De certo modo considera-se Claire um dos fatores que teriam levado à criação de FrankensteinO Prometeu Moderno, já que ela, grávida de seu rápido envolvimento com o Byron, teria insistido para que Mary e Percy passassem o verão na Suíça, de modo que ficasse perto de seu amado.

Os fatos ocorridos naqueles dias e as circunstâncias que os envolveram se tornariam lendários. Tão fascinantes a seu modo, deram margem a inúmeras especulações e interpretações. Vou tentar lançar alguma luz naquele verão fecundo de sombras e horror, ainda que dificilmente se chegaria a uma aproximação histórica acurada. Afinal, os fatos ocorridos foram apresentados filtrados pela fértil imaginação da escritora na introdução que elaborou para o romance alguns anos depois, na edição de 1831. E também nas notas deixadas pelo Dr. Polidori, certamente também revestidas de sua interpretação pessoal. Vou privilegiar a visão de Mary Shelley sobre os eventos ocorridos na Villa Diodati, residência ocupada por Byron naquele verão.

Continua…

Para saber mais:

Dança Macabra, de Stephen King.

Frankenstein, de Mary Shelley.

Vídeos indicados:

Frankenstein (1910)

Frankenstein (1931) – Trailler

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